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[aforismos à la carte]


a lógica é um sistema incompleto.



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o modernismo criou a felicidade,
o pós-modernismo matou-a,
o altermodernismo passeia o cadáver.



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[tornei a apaixonar-me]
























desta vez foi por uma gaja, que por sinal até é fufy.
chama-se klara lidén
e este video kasta macka

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da justiça só testemunho isto:


OFF WITH MY HEAD!!!



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[estamos sempre a pagar para que nos mintam]


desde uma qualquer franja da criação até ao serviço personalizado – duma entrevista ao comentário absolutamente fantástico e sorridente duma cabeleireira.
nada escapa.
nem o taberneiro: a crise fê-lo depositar a esperança numa simpatia esforçada.



{alguém faça o favor de me mandar à merda, mas com convicção e argumento, sff.}

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[camas amigas]

passei os últimos meses a dormir numa cama de 90 anos. era muito bonita, muito sensível e falava comigo.
era uma boa companhia, cumprimentava-me assim que chegava, despedia-se no momento a que me punha de pé e comentava tudo o que ali se passava.
mas a pobre precisava de descanso. sabia que em certas alturas a magoava, ela queixava-se bastante. mas foi uma boa amizade enquanto durou.

agora tenho o colchão no chão.. olho para ela ali ao fundo, desmontada, inútil, silenciosa, à espera do próximo destino e sinto uma ténue saudade.
continuo a gostar dela, mas estou melhor sem ela. 
vejo noutra perspectiva: o tecto está mais longe e o cotão mais perto. e os outros móveis parecem mais reais, com mais peso.

acontece o mesmo com algumas velhas amizades.
quando se desmontam e perdem a função, perspectivam-nos a realidade:

confirmamos a grandeza das que ficam e limpamos mais vezes o lixo acumulado entre elas.



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o natal resume-se a isto:
uma dor de cabeça que piora a cada ano que passa.


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[repetir dez vezes, com convicção]


reduzir as palavras a sí mesmas ajuda à compreenção.



[reprimir dez vezes, com convicção]


mas piora a intuição.


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na justiça,

nada se declara.
nem se questiona.
apenas se confirma.


que cada palavra é apenas essa palavra,
mas que as nossas palavras podem ser mais que simples palavras.


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  *  



já dizia o perniola: é à sombra que se dá a arte.



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[ia dizer: sou uma puta]

mas chamaram-me à razão que não recebo por isto. é certo. digo então:

[sou uma puta incompetente]

mesmo quando satisfeita, sigo atrás do estimulo que me prometer mais um pouco. como isto já dura à uns anos valentes, desaprendi a concentrar-me num apenas.
desejo-os todos e tenho pena de não os poder ter em simultâneo.
desde a última arrumação já acumulei 8 na mesa de cabeceira - todos a meio, todos incompletos.

finalizar um livro é larga-lo.
e sou incapaz de fazer isso a alguns.

posso ser uma puta incompetente, mas ainda tenho sentimentos.



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o comunismo é o melhor bode expiatório - consigo criar-lhe paralelismos com tudo.


(pelo menos essa utilidade não lhe posso negar)



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[inconsciente colectivo]

no possuir.

desde euros estáveis ao mês, a corpos quentes por perto ou porventura uma mente onde se possa projectar, depositar ou buscar concordância.
se têm – são.
e passam assim os dados a adquiridos. a pilares estruturais, enterrados.

e assinam-se papeis, para serem ainda mais, para terem ainda mais.
do mesmo.
até que se transformam em pedras.




[pedras tumulares]

comunismo, fascismo, ambos são exemplo,
o que se pretende não é mais que a aquisição, de dados alheios.
o que os move não é mais do que a carteira, dos outros.

a democracia funciona.
apenas.

[ ]

vivem. apenas.
possuem. apenas.

] [





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[e a montanha pariu um ácaro]


ontem, coliseu de lisboa: sonic youth


















definitivamente, tudo tem um prazo de validade.
o concerto não foi mau – nunca o poderia ser: estes senhores têm demasiada, sublinho, demasiada experiencia para que isso acontecesse.
o que assisti ontem foi a execução de um guião já repetido demasiadas vezes: desde o bracinho a tocar guitarra em círculo, à ida do moore à plateia até à deprimente apresentação da banda, foram apenas gestos desprovidos de significado.
nenhum deu de si – já não precisam: a máquina está montada há vinte anos, agora basta chegarem ao palco e cumprirem a tarefa. 
e foi o que fizeram. apenas.
o concerto deu-se porque há público que se contenta apenas com a máquina – quem fez ontem o concerto não foram os sonic youth, foi a plateia.

mas claro, a culpa nunca é do emissor, mas do receptor:
já devia saber que não podia ter expectativas ou então devia-me ter alterado com umas cervejas e uns ganzos antes de entrar – talvez agora não estivesse prá'qui a chorar o dinheiro.


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in
Je vous salue, Sarajevo
de
Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville

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