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a memória não se anula. antes assalta ao menor pretexto.
em:
centrípeto,
tangibilidades
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quando as facilidades não se esperam, também não se propõem.
em:
centrípeto,
tangibilidades
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tarde demais, para um gesto de tensão (ou atenção)
em:
tangibilidades
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há desejos e há medos
há desejos que metem medo
há medos desejáveis
há o que há
e o que há é tudo o que há
há amor
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[camas amigas]
passei os últimos meses a dormir numa cama de 90 anos. era
muito bonita, muito sensível e falava comigo.
era uma boa companhia, cumprimentava-me assim que chegava,
despedia-se no momento a que me punha de pé e comentava tudo o que ali se
passava.
mas a pobre precisava de descanso. sabia que em certas
alturas a magoava, ela queixava-se bastante. mas foi uma boa amizade enquanto
durou.
agora tenho o colchão no chão.. olho para ela ali ao fundo,
desmontada, inútil, silenciosa, à espera do próximo destino e sinto uma ténue
saudade.
continuo a gostar dela, mas estou melhor sem ela.
vejo noutra perspectiva: o tecto está mais longe e o cotão mais perto. e os outros móveis parecem mais reais, com mais peso.
vejo noutra perspectiva: o tecto está mais longe e o cotão mais perto. e os outros móveis parecem mais reais, com mais peso.
acontece o mesmo com algumas velhas amizades.
quando se desmontam e perdem a função, perspectivam-nos a
realidade:
confirmamos a grandeza das que ficam e limpamos mais vezes o
lixo acumulado entre elas.
em:
centrífugo,
tangibilidades
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*
a resolução é aliviante
**
mesmo quando a tendência é a inquietação, as coisas por si visam um equilíbrio
e quando este chega, aprende-se muito
*
a resolução é aliviante
**
mesmo quando a tendência é a inquietação, as coisas por si visam um equilíbrio
e quando este chega, aprende-se muito
*
em:
centrípeto,
tangibilidades
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[quem está de fora vê sempre melhor]
o outro é sempre alguém inacessível,
(ainda mais do que eu me sou muitas vezes)
mas há sempre momentos, geralmente após algum acontecimento – porque é com o acontecer, com o fazer, com o dizer, que nos revelamos (e revelemo-nos
sempre em paisagem – naquela que nos rodeia) – que melhor conseguimos ver o outro, de fora, na sua
paisagem, na sua unicidade.
nestes dias vi-o destacado na sua paisagem.
(é o ser que me acompanha nos últimos meses, a pessoa que
amo)
e finalmente percebi-o numa das suas facetas:
no isolamento.
um ser autónomo entre autómatos.
um ser individual entre réplicas.
e salve-me o sarcasmo:
um adulto entre adolescentes.
abre-se-me um vazio no peito para o receber.
o recolher.
mas é longe demais.
de longe vê-se melhor o contexto.
mas pior o pormenor.
em:
centrípeto,
tangibilidades
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[a irreversibilidade]
não é uma ideia fatalista, é realista.
e o que mais custa:
saber que se deve, tão só e apenas, à banalidade
não é uma ideia fatalista, é realista.
e o que mais custa:
saber que se deve, tão só e apenas, à banalidade
em:
tangibilidades
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[tesourinha de unhas]
.
para cortar aquela parte que medeia a causa e o efeito:
.
assim,
ficaria a vontade de dar a conhecer
o outro,
passa a saber
sem a chatice do:
.
ter de dizer
.
.
.
.
para cortar aquela parte que medeia a causa e o efeito:
.
assim,
ficaria a vontade de dar a conhecer
o outro,
passa a saber
sem a chatice do:
.
ter de dizer
.
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em:
tangibilidades
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[see it?]
.
.li ainda agora aqui a frase: um criador é um copista falhado – faço uma vénia ao autor, é mesmo isso.
historicamente a tentativa primordial sempre foi a cópia, só quem não conseguia reproduzir o que via é que criava: a justificação para a falha entre o visível e o desenhável.
como tantas outras vezes: a arte ensina-me a ver a vida.
não a consigo copiar, portanto crio-a: à vida, não à arte – porque se criar a vida que quero depois recriar, posso-me sentar e copiá-la fielmente ou traí-la conscientemente.
coleccionar não é uma coisa nem outra – é simplesmente observar, consumir: a justificação para a falha entre a vivência e o sofá.
o lugar do observador será sempre passivo, confortável e protegido.
e se a perversidade é filha da passividade o lugar desta família monoparental é a exuberância que faz dum grão de areia o diamante mais puro.
e quanto a isto:
quanto à linguagem, ainda sou mais preconceituosa:
a poesia, por mais maldita que seja será sempre a justificação para a falha entre a vivência e a falta dela.
***
é na acção que está a vida, não na linguagem.
(pena a arendt não ter tido isso em consideração quando se deixou apaixonar pelo heidegger...)
.
.
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.li ainda agora aqui a frase: um criador é um copista falhado – faço uma vénia ao autor, é mesmo isso.
historicamente a tentativa primordial sempre foi a cópia, só quem não conseguia reproduzir o que via é que criava: a justificação para a falha entre o visível e o desenhável.
como tantas outras vezes: a arte ensina-me a ver a vida.
não a consigo copiar, portanto crio-a: à vida, não à arte – porque se criar a vida que quero depois recriar, posso-me sentar e copiá-la fielmente ou traí-la conscientemente.
coleccionar não é uma coisa nem outra – é simplesmente observar, consumir: a justificação para a falha entre a vivência e o sofá.
o lugar do observador será sempre passivo, confortável e protegido.
e se a perversidade é filha da passividade o lugar desta família monoparental é a exuberância que faz dum grão de areia o diamante mais puro.
e quanto a isto:
quanto à linguagem, ainda sou mais preconceituosa:
a poesia, por mais maldita que seja será sempre a justificação para a falha entre a vivência e a falta dela.
***
é na acção que está a vida, não na linguagem.
(pena a arendt não ter tido isso em consideração quando se deixou apaixonar pelo heidegger...)
.
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] [
.
.
"
While you make pretty speeches
I'm being cut to shreds
You feed me to the lions
A delicate balance
And this just feels like spinning plates
I'm living in cloud cuckoo land
And this just feels like spinning plates
Our bodies floating down the muddy river
"
*
.
.
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"
While you make pretty speeches
I'm being cut to shreds
You feed me to the lions
A delicate balance
And this just feels like spinning plates
I'm living in cloud cuckoo land
And this just feels like spinning plates
Our bodies floating down the muddy river
"
*
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em:
centrípeto,
musicas,
radiohead,
tangibilidades
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["i don't believe in true love, anyway"]
.
.
eu sei que gostavas mais de mim quando despejávamos garrafas de whisky sozinhos.
.
.
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eu sei que gostavas mais de mim quando despejávamos garrafas de whisky sozinhos.
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.
em:
tangibilidades
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