[inconsciente colectivo]
no possuir.
desde euros estáveis ao mês, a corpos quentes por perto ou porventura uma mente onde se possa projectar, depositar ou buscar concordância.
se têm – são.
e passam assim os dados a adquiridos. a pilares estruturais, enterrados.
e assinam-se papeis, para serem ainda mais, para terem ainda mais.
do mesmo.
até que se transformam em pedras.
[pedras tumulares]
comunismo, fascismo, ambos são exemplo,
o que se pretende não é mais que a aquisição, de dados alheios.
o que os move não é mais do que a carteira, dos outros.
a democracia funciona.
apenas.
[ ]
vivem. apenas.
possuem. apenas.
] [
Mostrar mensagens com a etiqueta mania que percebo do assunto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mania que percebo do assunto. Mostrar todas as mensagens
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
[o pensamento vertical geralmente usa gravata]
.
.
percebo bem aquela adrenalina libertada, numa leveza quase encantada, quando se tem uma ideia que resolve um problema. ao fim de dias, semanas, mesmo meses, com uma inquietação que nunca se resolve quando queremos, mas quando estão reunidas as condições para que o pensamento se deixe iluminar – quando isto acontece, dá-se um orgasmo mental que extravasa também para o corpo.
.
a investigação vertical – o escavar em profundidade – pode levar-nos à raiz do problema lá no fundo do buraco, mas apesar do gratificante que isso possa ser convém saber sair se queremos continuar.
há quem escave sempre no mesmo buraco, crie grutas incríveis, muitas vezes insondáveis e viva lá a vida inteira.
para estes seres, o buraco de um outro, deve provocar uma estranheza enorme...
.
.
***
.
na mesa, uma conversa acerca da nova série Book de Augusto Alves da Silva, patente no museu de Serralves, onde o fotógrafo assume, finalmente, a sua obsessão pela imagem do corpo feminino. processo: colocou um anúncio na net onde pedia modelos amadoras para sessões fotográficas, todo o processo foi politicamente correcto (para mais explicações clicar aqui)
.
gajo1: aquilo é um erotismo barato. politicamente correcto e tal, mas desinteressante.
gajo2: mas apareceram muitas ao anúncio?
gajo1: às resmas pá! essas gajas das caixas e balcões desse comercio todo…
gaja: ouvi dizer que apareceu uma doutorada em bioquímica nuclear ou algo parecido.
gajo2: ... mas... mas, como é que uma mulher assim... se mete numa dessas...?
.
.
***
.
esses seres completamente individuais, podem deixar-nos obras e descobertas fantásticas, preciosas, mas tratar-se-ão sempre de obsessões não partilháveis.
.
basta pensar na vida sexual do kafka – inexistente!
.
.
.
.
percebo bem aquela adrenalina libertada, numa leveza quase encantada, quando se tem uma ideia que resolve um problema. ao fim de dias, semanas, mesmo meses, com uma inquietação que nunca se resolve quando queremos, mas quando estão reunidas as condições para que o pensamento se deixe iluminar – quando isto acontece, dá-se um orgasmo mental que extravasa também para o corpo.
.
a investigação vertical – o escavar em profundidade – pode levar-nos à raiz do problema lá no fundo do buraco, mas apesar do gratificante que isso possa ser convém saber sair se queremos continuar.
há quem escave sempre no mesmo buraco, crie grutas incríveis, muitas vezes insondáveis e viva lá a vida inteira.
para estes seres, o buraco de um outro, deve provocar uma estranheza enorme...
.
.
***
.
na mesa, uma conversa acerca da nova série Book de Augusto Alves da Silva, patente no museu de Serralves, onde o fotógrafo assume, finalmente, a sua obsessão pela imagem do corpo feminino. processo: colocou um anúncio na net onde pedia modelos amadoras para sessões fotográficas, todo o processo foi politicamente correcto (para mais explicações clicar aqui)
.
gajo1: aquilo é um erotismo barato. politicamente correcto e tal, mas desinteressante.
gajo2: mas apareceram muitas ao anúncio?
gajo1: às resmas pá! essas gajas das caixas e balcões desse comercio todo…
gaja: ouvi dizer que apareceu uma doutorada em bioquímica nuclear ou algo parecido.
gajo2: ... mas... mas, como é que uma mulher assim... se mete numa dessas...?
.
.
***
.
esses seres completamente individuais, podem deixar-nos obras e descobertas fantásticas, preciosas, mas tratar-se-ão sempre de obsessões não partilháveis.
.
basta pensar na vida sexual do kafka – inexistente!
.
.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
[this is hardcleaning: se serve a catarse é a este blog que pertence]
[coincidências linguísticas]
Provavelmente lemos todos os mesmos livros e estamos todos nas mesmas conversas.
Mas fará sentido usarmos todos a mesma linguagem quando o sentido que damos às palavras é inevitavelmente diverso?
Quem é quem para legitimar qualquer tipo de consistência às ditas, principalmente as escritas? Mas também, quem é quem para as tentar legitimar, escrevendo-as?
Fazemos com as palavras o mesmo que com os objectos:
para mim um rádio é um instrumento que dá musica, aquela que quero ouvir; para outro o mesmo objecto serve para ser desmontado e extrair do seu interior o que quer ver – a metodologia é diferente, o objectivo é o mesmo: o querer.
Pelo que leio, parece-me que aqui no Porto estes dois termos, metodologia e objectivo, são revestidos com o mesmo material linguístico – descaracterizando-lhes a forma e iludindo o leitor.
As palavras têm significados diferentes em bocas diferentes – é suposto que assim seja e é suposto que assim seja entendido, no desencontro.
O encontro/entendimento pela linguagem só não é uma utopia para aqueles que se transformam naquilo que representam. E a representação aqui, não é mais que uma especialização (esse vírus liberal que também constipa o meio artístico).
***
Que posso concluir depois de ler as catalogações com que alguns daqueles que agem, actuam, observam e ajudam a construir a dita cena artística do Porto fazem da mesma, de si mesmos e dos outros que a constituem? Ou ainda, desse lugar "idílico" onde se "faz" "verdadeiramente" "arte"?
Tanto e apenas o desencontro.
(O meu, claro! Que não tirei a especialização...)
[coincidências linguísticas]
Provavelmente lemos todos os mesmos livros e estamos todos nas mesmas conversas.
Mas fará sentido usarmos todos a mesma linguagem quando o sentido que damos às palavras é inevitavelmente diverso?
Quem é quem para legitimar qualquer tipo de consistência às ditas, principalmente as escritas? Mas também, quem é quem para as tentar legitimar, escrevendo-as?
Fazemos com as palavras o mesmo que com os objectos:
para mim um rádio é um instrumento que dá musica, aquela que quero ouvir; para outro o mesmo objecto serve para ser desmontado e extrair do seu interior o que quer ver – a metodologia é diferente, o objectivo é o mesmo: o querer.
Pelo que leio, parece-me que aqui no Porto estes dois termos, metodologia e objectivo, são revestidos com o mesmo material linguístico – descaracterizando-lhes a forma e iludindo o leitor.
As palavras têm significados diferentes em bocas diferentes – é suposto que assim seja e é suposto que assim seja entendido, no desencontro.
O encontro/entendimento pela linguagem só não é uma utopia para aqueles que se transformam naquilo que representam. E a representação aqui, não é mais que uma especialização (esse vírus liberal que também constipa o meio artístico).
***
Que posso concluir depois de ler as catalogações com que alguns daqueles que agem, actuam, observam e ajudam a construir a dita cena artística do Porto fazem da mesma, de si mesmos e dos outros que a constituem? Ou ainda, desse lugar "idílico" onde se "faz" "verdadeiramente" "arte"?
Tanto e apenas o desencontro.
(O meu, claro! Que não tirei a especialização...)
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
[see it?]
.
.li ainda agora aqui a frase: um criador é um copista falhado – faço uma vénia ao autor, é mesmo isso.
historicamente a tentativa primordial sempre foi a cópia, só quem não conseguia reproduzir o que via é que criava: a justificação para a falha entre o visível e o desenhável.
como tantas outras vezes: a arte ensina-me a ver a vida.
não a consigo copiar, portanto crio-a: à vida, não à arte – porque se criar a vida que quero depois recriar, posso-me sentar e copiá-la fielmente ou traí-la conscientemente.
coleccionar não é uma coisa nem outra – é simplesmente observar, consumir: a justificação para a falha entre a vivência e o sofá.
o lugar do observador será sempre passivo, confortável e protegido.
e se a perversidade é filha da passividade o lugar desta família monoparental é a exuberância que faz dum grão de areia o diamante mais puro.
e quanto a isto:
quanto à linguagem, ainda sou mais preconceituosa:
a poesia, por mais maldita que seja será sempre a justificação para a falha entre a vivência e a falta dela.
***
é na acção que está a vida, não na linguagem.
(pena a arendt não ter tido isso em consideração quando se deixou apaixonar pelo heidegger...)
.
.
.
.li ainda agora aqui a frase: um criador é um copista falhado – faço uma vénia ao autor, é mesmo isso.
historicamente a tentativa primordial sempre foi a cópia, só quem não conseguia reproduzir o que via é que criava: a justificação para a falha entre o visível e o desenhável.
como tantas outras vezes: a arte ensina-me a ver a vida.
não a consigo copiar, portanto crio-a: à vida, não à arte – porque se criar a vida que quero depois recriar, posso-me sentar e copiá-la fielmente ou traí-la conscientemente.
coleccionar não é uma coisa nem outra – é simplesmente observar, consumir: a justificação para a falha entre a vivência e o sofá.
o lugar do observador será sempre passivo, confortável e protegido.
e se a perversidade é filha da passividade o lugar desta família monoparental é a exuberância que faz dum grão de areia o diamante mais puro.
e quanto a isto:
quanto à linguagem, ainda sou mais preconceituosa:
a poesia, por mais maldita que seja será sempre a justificação para a falha entre a vivência e a falta dela.
***
é na acção que está a vida, não na linguagem.
(pena a arendt não ter tido isso em consideração quando se deixou apaixonar pelo heidegger...)
.
.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
luc boltanski chega a Serralves e diz qualquer coisa como:
dum lado temos os poderosos e do outro os fracassados.
e caracteriza estes últimos como os que:
- não sabem comunicar
- não sabem confiar
- não se sabem moldar
mas de que raio está este gajo a falar?
e continua:
o fracassado é aquele que entende o falhanço profissional como sendo pessoal e até afectivo.
e continua ainda, irónicamente:
assim, se foi despedido a culpa é inteiramente sua – a culpa é individual.
com ironia, mas vamos lá ver…
que culpa?
- a culpa de não saber comunicar?
com o outro ou com o sistema?
- a culpa de não saber confiar?
no outro ou no sistema?
- a culpa de não se saber moldar?
ao outro ou ao sistema?
era sobre estas questões que gostaria de o ouvir com argumentos próprios e não com leituras de lugares comuns sobre a dominação por fragmentação, a inevitabilidade metamórfica do capitalismo ou a sua capacidade de absorver a oposição crítica. porque se é na base da pirâmide capitalista que vivem os fracassados, é na falha que assenta a estrutura capitalista. e sim… a coisa parece estar a dar de si e a crítica (a 'social' ou a 'artística') não encontra argumentos funcionais.
não os encontra… mas chega à 'belíssima' conclusão:
na precariedade é que está a vida!
rssss….
… no mínimo, um pensamento idiotamente estereotipado! se é isto que as ciências sociais concluem então a frase de boltanski:
há um excesso de poder dado às ciências sociais,
faz todo o sentido, e fez desta conferência uma pescadinha de rabo na boca – um círculo sem pontos de fuga.
e eu, chego à conclusão que mandei quase três horas para o galheiro e ainda fiz um post de merda! enfim...
.
dum lado temos os poderosos e do outro os fracassados.
e caracteriza estes últimos como os que:
- não sabem comunicar
- não sabem confiar
- não se sabem moldar
mas de que raio está este gajo a falar?
e continua:
o fracassado é aquele que entende o falhanço profissional como sendo pessoal e até afectivo.
e continua ainda, irónicamente:
assim, se foi despedido a culpa é inteiramente sua – a culpa é individual.
com ironia, mas vamos lá ver…
que culpa?
- a culpa de não saber comunicar?
com o outro ou com o sistema?
- a culpa de não saber confiar?
no outro ou no sistema?
- a culpa de não se saber moldar?
ao outro ou ao sistema?
era sobre estas questões que gostaria de o ouvir com argumentos próprios e não com leituras de lugares comuns sobre a dominação por fragmentação, a inevitabilidade metamórfica do capitalismo ou a sua capacidade de absorver a oposição crítica. porque se é na base da pirâmide capitalista que vivem os fracassados, é na falha que assenta a estrutura capitalista. e sim… a coisa parece estar a dar de si e a crítica (a 'social' ou a 'artística') não encontra argumentos funcionais.
não os encontra… mas chega à 'belíssima' conclusão:
na precariedade é que está a vida!
rssss….
… no mínimo, um pensamento idiotamente estereotipado! se é isto que as ciências sociais concluem então a frase de boltanski:
há um excesso de poder dado às ciências sociais,
faz todo o sentido, e fez desta conferência uma pescadinha de rabo na boca – um círculo sem pontos de fuga.
e eu, chego à conclusão que mandei quase três horas para o galheiro e ainda fiz um post de merda! enfim...
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
a potência de existir
adão+eva
adel abdessemed
akira kurosawa
alexandre o'neill
allegro ma non troppo
alvaro lapa
amor líquido
and also the trees
andrei tarkovsky
antónio de sousa
ao bibo
archetypo 120
artavazd pelechian
artes
as metamorfoses de ouvido
ataraxia
atom egoyan
attrition
banksy
Bas Jan Ader
bd
bloguices
boris mikhailov
carlo maria cipolla
catálogos
centrífugo
centrípeto
citação
citação adulterada
collection d'arnell andréa
daniel carter
dave burrell
dead man's bones
diamanda galas
divulgação
do sentimento trágico da vida
do sentir
entremuralhas
evan parker
federico ughi
fields of the nephilim
filmes
francis alÿs
francisco tropa
gaspar noé
ghedalia tazartès
gilles deleuze
graveyard sessions
gustave courbet
imagens movimento
imagens tempo
ingmar bergman
jacques derrida
jacques lacan
jandek
jean-luc godard
jim jarmusch
jimmie durham
joão penalva
joão queirós
joe mcphee
jorge luís borges
josé eduardo lopes
joseph-benoît
klara lidén
lau nau
legendary pink dots
les baton rouge
livros
liz and ruth seidman - vodka sisters
lock the target
luc boltanski
luc tuymans
luisa cunha
lydia lunch
mania que percebo do assunto
marcel van eeden
marina abramovic
mario perniola
mark twain
maus
mesa de café
messer chups
micachu
michael haneke
michel borremans
michel onfray
michelangelo antonioni
miguel de unamuno
musicas
no wave/post-punk/underground/new york 1976-1980
nove ensaios dantescos
o soberano bem
ordo rosarius equilibrio
palácio de cristal
peter fischli + david weiss
peter murphy
peter sloterdijk
philip scott johnson
poesia
portishead
post dedicado
pseudo-arte
psychedelic furs
radiohead
roberto rossellini
russ meyer
samuel beckett
sanguinidades
séries
sonic youth
sore
stephen o'malley
study girl
sunn o)))
susan alcorn
swans
tangibilidades
television personalities
terrence malick
the chameleons vox
thurston moore and byron coley
tindersticks
twilight zone
ulay
vasko popa
vladeck spielgeman
wayne hussey
william parker
william turner
winter severity index
working class girl
zygmunt bauman
"If creativity is a field, copyright is the fence" - John Oswald