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[nove almofadas oníricas]




pela data no verso da capa, há nove anos que não lia borges. só agora percebi a falta que me tinha feito pela avidez com que devorei estes ensaios.
não tenho por habito buscar consolo no fantástico. mas lá chegada, consigo descansar.
ele não cria nem conceitos nem perceptos, apenas usa com os que já existem, com imaginação: ou seja, consciente que a ilusão e desilusão estarão para sempre destinadas uma à outra. talvez seja por isso que diz:


apaixonar-se é criar uma religião cujo deus é falível



a tónica não me está no adjectivo falível (todos os deuses o são) mas nos três primeiros verbos.



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[ia dizer: sou uma puta]

mas chamaram-me à razão que não recebo por isto. é certo. digo então:

[sou uma puta incompetente]

mesmo quando satisfeita, sigo atrás do estimulo que me prometer mais um pouco. como isto já dura à uns anos valentes, desaprendi a concentrar-me num apenas.
desejo-os todos e tenho pena de não os poder ter em simultâneo.
desde a última arrumação já acumulei 8 na mesa de cabeceira - todos a meio, todos incompletos.

finalizar um livro é larga-lo.
e sou incapaz de fazer isso a alguns.

posso ser uma puta incompetente, mas ainda tenho sentimentos.



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Não há como aprender a "fazer bem na próxima oportunidade" um evento que jamais voltaremos a vivenciar.
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in Amor Líquido de Zygmunt Bauman
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[momento 4'33'']
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a partir de MAUS de Vladeck Spielgeman
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(este livro é uma fonte de citações... será melhor dizer: uma estufa de citações)
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é soberano aquele que decide em que armadilha quer cair
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(porque)
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(...) deixar-se ir de livre vontade constitui motivação suficiente.
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ainda mais:
só quem é suspeito de ter segundos pensamentos pode efectivamente ser considerado sujeito.
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[o soberano bem, ou estar mal de soberania]

do 'filosofo poeta', jacques derrida
(um pensamento zoológico)
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não se sabe pois lá muito bem, se o género humano pertence a uma centena de homens, ou se essa centena de homens pertence ao género humano. (...) eis assim a espécie humana dividida em rebanhos de gado, tendo cada um o seu chefe, que o guarda para devorar.

rosseau
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concluo que pelos vistos não nos andamos a comer o suficiente uns aos outros - sendo o lugar da devoração o mesmo da vociferação, nesta deveria constar aquilo que se ingeriu... mas os arrotos que oiço soam-me todos ao mesmo.
acho que a nossa soberania se anda a comer a si mesma - uma dieta pouco saudável que lhe faz perder cada vez mais peso.
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[a potência de existir - um manifesto hedonista]
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não é que ele me diga nada que eu já não soubesse ou intuísse. simplesmente diz-mo no tom certo: como se estivesse à minha frente na mesa dum café.
gosto da forma como dá de si, em contradição como na vida, e é aí que me entendo com ele:
- a filosofia salvou-lhe a vida.
- a mim, foi quase...
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[Allegro ma non troppo].
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Momento I:
o papel das especiarias (e da pimenta em particular) no desenvolvimento económico da idade média.
.Um brevíssimo resumo pela dita idade em forma de anedota relativamente bem conseguida.
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Momento II:
as leis fundamentais da estupidez humana.
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Depois destas leis referidas neste post anterior, pouco mais há a acrescentar, excepto um gráfico onde se podem identificar as quatro principais categorias de Humanos:
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os ingénuos
os inteligentes
os bandidos e
os estúpidos
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obviamente, categorizam-se as pessoas pelos actos e são esses actos que podem ser analisados no tal gráfico.
assim:
iniciei um acto ao encomendar este livro:
fui levanta-lo ao balcão da livraria, esperei cerca de 20m – o que me fez passar pelas estantes, e consumista como sou, no momento em que finalmente me chamaram trazia outro debaixo do braço.
ou seja:
paguei 10€ por 2h30 de leitura que não me foram úteis para o objectivo que tinha em mente, embora tenha de confessar que foram 2h30 de sorriso nos lábios, ainda assim, não justifica o preço, no meu entender.
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ora, já que nesta acção, perdi tempo e dinheiro cujo peso o sorriso não compensou, a única parte a ganhar com este acto foi a livraria (mais editora e autor). sendo assim e segundo o gráfico: sou ingénua.
foi de facto um acto ingénuo e foi por pouco que o italiano não se ficava a rir de mim: o que este gráfico não mede é o factor acaso, grande responsável pelas mais variadas e importantes descobertas – neste caso, o ter dado com o tal livro nas prateleiras:
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A potência de existir – Manifesto hedonista do Michel Onfray que depois de ter dado uma vista de olhos pelas primeiras páginas, me agarrou como à muito nenhum o fazia.
… e lá se vai a minha grande decisão de ler apenas um de cada vez…
até já caro Stirner…
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[pensando a estupidez].
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allegro ma non troppo (fresquinho, fresquinho! ...acabado de me chegar às mãos)
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segundo carlo maria cipolla: pode-se classificar a população humana em quatro grandes grupos:
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- os inteligentes que conseguem ter uma acção que resulte em vantagem para si e também para os outros (ainda que menor).
- os vigaristas que tiram vantagem para si com prejuízo de terceiros.
- os fúteis não geram nem para si nem para os outros, vantagem ou prejuízo.
- os estúpidos que têm uma acção que resulta em prejuízo para si e para os outros (ainda que menor).
.pode-se tb enunciar cinco leis da estupidez:
.- sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos que há no mundo.
- a probabilidade de que uma determinada pessoa seja estúpida é independente de qualquer outra característica dela mesma.
- uma pessoa é estúpida se ela causa um dano a outra ou a um grupo sem obter nenhum beneficio para si, ou mesmo sofrendo prejuízo.
- as pessoas não estúpidas subvalorizam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas; esquecem constantemente que em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, tratar ou associar-se com indivíduos estúpidos constitui inevitalmente um custoso erro.
- a pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.
.***
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vamos lá ver se este me será útil, ou não passa duma estupidez pegada, rsss...
(continua)
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[mario perniola - do sentir]
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[X]
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O livro é sobre o sentir e as suas transformações ao longo das últimas gerações.
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Era uma vez,
num tempo em a informação útil se restringia ao contexto habitado e as opções vivenciais a julgamentos dicotómicos, qualquer experiência vivida era sentida como única, as nuances entre os opostos eram descobertas pela primeira vez in loco.
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Mas às tantas,
o sentir foi-se globalizando a par com tudo o resto: hoje temos manuais que nos ensinam a lidar com qualquer inquietação desde a infância à velhice. O acesso às excepções já não faz apenas na partilha duma intimidade ou de um segredo - faz-se, e comenta-se, como uma formula. O virtual tornou-se um laboratório por excelência na experimentação dessas excepções, mas como qualquer laboratório é asséptico, as variáveis são controladas e protegidas de contaminações exteriores. O real não é asséptico, contamina-se com o lugar e a proximidade de outro corpo, transformam-se naturalmente numa outra experiência.
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E depois,
depois nada. . .
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